segunda-feira, 6 de julho de 2015

Dívida Pública Portuguesa

O memorando de entendimento entre Portugal e a Troika foi assinado em Maio de 2011.

Vamos olhar para os dados da dívida pública Portuguesa desde o ínicio do programa de ajustamento e o presente.

De acordo com a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública de Portugal o stock de dívida directa do Estado em Abril de 2011 era de aproximadamente 158 mil milhões de Euros. Os dados mais recentes, de Maio de 2015, falam numa dívida de aproximadamente 224 mil milhões de Euros.Ou seja, o stock da dívida cresceu aproximadamente 66 mil milhões de euros em pouco mais de 4 anos.

Se olharmos para o movimento da dívida podemos ver que em Março de 2011, ou seja excluindo os empréstimos da troika, a dívida era de aproximadamente 152 mil milhões de Euros.
Passados 4 anos, em Março de 2015, Portugal devia à troika aproximadamente 74,5 mil milhões de Euros e a outras entidades aproximadamente 142 mil milhões. (Total de aproximadamente 221 mil milhões de Euros).

Ou seja, de uma forma simplista, Portugal "amortizou" em 4 anos com os empréstimos da troika 16 mil milhões de Euros, mas deve à troika mais de 74 mil milhões.

Não nos podemos esquecer que tívemos também um conjunto de privatizações que permitiram encaixas financeiros na ordem dos 9.5 mil milhões de Euros.

Em resumo, em 4 anos pagámos 16 e para isso vendemos 10 e pedimos emprestados 74.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Portugal o antes e o depois da Troika

Em 2011 Portugal aderiu a um programa de ajuda externa que permitiu o acesso a dinheiro vindo da Troika em troca de reformas.

Passados 4 anos, e numa altura em que se aproximam as eleições e o fim do programa na Grécia que ainda não se sabe o seu desfeito, vou apresentar dados reais e de fontes oficiais sobre um conjunto de indicadores sociais/económicos/financeiros que nos permitem comparar o ponto de partida e do ponto de chegada. Poderemos assim comparar o antes e o depois do programa e avaliar as consequências do mesmo.

Será que estamos melhor ou pior? Em alguns indicadores deveremos estar melhor, em alguns piores e noutros estaremos na mesma.

O primeiro que apresento é o Produto Interno Bruno (PIB). De uma forma simples o PIB é a riqueza gerada num país. Resulta das actividades quotidianas ou seja de pessoas, empresas e entidades públicas e privadas. O que se produz, o que se compra, o que se investe e o que se exporta.

De acordo com os dados apresentados na PORDATA, que tem como fonte primária o INE e o Banco de Portugal, o ponto de comparação é o PIB de 2011.



De acordo com os dados do INE e do Banco de Portugal o PIB em 2014 é inferior ao PIB de 2011. Ou seja, ao longo de 4 anos a riqueza do país diminuiu. Gerámos menos riqueza em 2014 do que em 2011. Estamos em 2014 a gerar uma riqueza semelhante à riqueza de 2006-2007.

Podemos também verificar que as remunerações pagas em 2014 são mais ou menos semelhantes às remunerações pagas em 2005. Ou seja, o país produz algo semelhante a 2006-2007 e e o nível de remunerações é semelhante ao nível de 2005.

Até amanhã!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Os Deputados e a bola

Nas últimas semanas os 3 maiores clubes de Portugal convidaram os Deputados para jantares de modo a assinalarem o fim da época ou...sabe-se lá o quê.

Quem não se lembra do episódio da invocação de trabalho político para justificar a ida à bola em 2003 quando o Porto jogou a final da Taça UEFA em Sevilha? Uns tiveram falta justificada, outros falta injustificada. Vá-se lá perceber a distinção...

Em 2004, quando o Porto jogou novamente uma final Europeia a questão voltou a ser falada.

Aparentemente houve vários Deputados que optaram por não ir à Alemanha, talvez devido ao arrependimento que sentiram do episódio do ano anterior...Talvez...

Outros, não pensaram duas vezes e voltaram a faltar ao dever para o qual foram eleitos e decidiram faltar ao plenário para irem ver a bola...

Não existem dados concretos de quais os Deputados que foram a Sevilha, ou pelo menos, pouco me interessa procurar, mas podemos ver aqui quais os Deputados que deram faltas injustificadas no dia da final da Champions e aqui os Deputados que tiveram faltas injustificadas no dia da final da UEFA. Muito provavelmente, e posso estar enganado como é óbvio, existe uma probabilidade elevada de os repetentes com faltas injustificadas em ambos os dias terem estado em ambas as finais.
Até porque, vários foram os que admitiram ter faltado ao plenário para irem ver a bola.

Nos últimos 13 meses o Benfica disputou duas finais europeias e eu lembrei-me de ir ver as faltas dos Deputados injustificadas nos dois dias dos eventos. Podemos consultar as presenças/faltas dos Deputados no dia da final em 2013 aqui e no dia da final do passado mês de Maio aqui.

Sabendo que em teoria o número de adeptos do Benfica é superior ao número de adeptos do Porto, podemos pensar que muitos foram os que queriam ir ver e decidiram, por consciência moral pois claro, ficar por terra e ver a bola em casa.

Outros, possivelmente, e mais uma vez posso estar enganado, não pensaram uma vez sequer e foram das duas vezes à bola.

Pode ser apenas curiosidade e mera coincidência que alguns Deputados sócios e simpatizantes do Benfica, por vezes até comentadores desportivos, tenham faltado nesses dois dias, em particular, ao plenário sem uma justificação válida.

Quero deixar bem claro que o objectivo deste post não é julgar quem quer que seja por eventualmente ter decidido ir à bola e de ter faltado ao plenário da AR. Plenário esse onde votam e aprovam leis a cortar salários e reformas e aumentam os impostos e onde repetem várias vezes que os países do centro da Europa não devem andar a financiar os preguiçosos do Sul da Europa que não querem trabalhar.

Em breve virá outro post sobre a bola e entenderão melhor o que realmente, obviamente, quero dizer com as palavras anteriores.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Assim vai a nossa justiça

Um sem-abrigo rouba um polvo e um champô no valor de 25.66€ e é condenado a pagar 250€. (+/- 10 vezes mais)

Um indivíduo rouba desodorizantes no valor de 17.34€ e é condenado a pagar 150€. (+/- 10 vezes mais)

Três indivíduos (um administrador de uma empresa pública e um empresário ex-deputado da nação) apropriam-se de38 mil euros e são condenados a pagar 17mil€. (+/- metade do que roubaram)

Às vezes o crime parece compensar.

Assim vai a nossa justiça!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Matic e Jorge Jesus

O treinador do SLB disse hoje o seguinte:



Para mim, trata-se pura e simplesmente de 2 atestados de incompetência:
-A toda a formação do Benfica, incapaz de produzir jogadores como o Matic (formados na Sérvia e Eslovênia, esses astros da formação);
-Ao presidente do clube que vendeu o melhor médio defensivo do mundo por 25M€ depois de ter pago 4M€ pela renovação do contrato para subir a clausula de rescisão de 40M€ para 50M€. (página 21)
Para quê subir a clausula e gastar 4M€ com a renovação?

Este filme diz tudo:

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Falhanço do Estado e Privatizações

Seguindo a mesma premissa, porque foram privatizados os CTT, a ANA, os seguros da Caixa, a REN, a GALP, a PT, e EDP?

Será que o Estado era mau gestor? As empresas não estavam bem?

A verdade é que os governantes que nomeiam gestores públicos querem apenas uma coisa, que o Estado privatize tudo e que tudo seja entregue a meia dúzia de pessoas.

Se fosse apenas por incompetência do Estado em vez de privatizarem o BPN deveriam era nacionalizar toda a banca, ou será que a CGD é mal gerida pelo Estado?

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Salário Mínimo Nacional

Temos um Governo bastante criativo.

Acha que aumentar os descontos para a ADSE e a Contribuição Extraordinária de Solidariedade não é aumentar os impostos. Chamemos-lhe apenas: aumentar a receita do Estado.

Sabemos também que num momento de "emergência nacional" todas as interpretações da Constituição são possíveis. Ou seja, a Constituição pode ser suspensa porque Portugal está em "emergência". Já ouvi propostas semelhantes há uns anos, de quem não acredita em reformas Democracia..

Hoje soube-se também que o Governo arranjou uma forma criativa de baixar o salário mínimo nacional. Ao novo "estatuto" o governo chama-lhe trabalho social, e essas pessoas são pagas a 419€ mês. Estão abrangidos todos aqueles que não têm trabalho nem subsídio de desemprego. Voltámos portanto a um valor semelhante ao do ano 2008, se descontarmos a inflação, temos um retrocesso de quase uma década. (Resta saber quantas horas terão de trabalhar socialmente por semana)

Não há dúvida nenhuma que o objectivo é aniquilar os pensionistas, expulsar nos jovens e de algum modo escravizar os que cá ficam através da ausência de liberdade de escolha devido ao constante medo de miséria.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Demissão Irrevogável

Este fim-de-semana ouvi o Vice-Primeiro-Ministro a falar sobre negociações.

Podem ver e ouvir as suas palavras no filme que vos deixo:



Pena que no início de Julho, o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, não tenha tido um pouco mais de cultura de negociação política e tenha procurado trabalhar um pouco mais sentado à mesa com um adversário que respeitava, mas que evidentemente pensava de forma diferente, e ter perdido a vergonha de negociar um bom acordo para o País na área das finanças numa atitude de boa fé e serviço a Portugal de modo a comprometer aqueles que governavam o País.

O País teria agradecido e o Ministro seria hoje levado bem mais a sério depois da famosa demissão irrevogável.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Verdadeiros amigos

Ainda bem que há amigos assim, e pena que haja gente com tanta irresponsabilidade.


Epic Dont Drink and Drive Prank (HD) por DaveLiason

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Programa de ajuda financeira a Portugal

O Governo Português continua a dizer que não tem autonomia para tomar determinadas soluções e opções porque Portugal está sobre ajuda externa.

Duas das mais recentes medidas que não são propostas/implementadas por culpa do "radicalismo da troika" são:
Descida da taxa de IVA da restauração.
Aumento do salário mínimo.
link2

Ora, hoje dei por mim a pensar quanto dinheiro ainda temos a receber até terminar o programa de ajuda de movo a ganhar novamente a chamada autonomia.

Sabemos que a ajuda foi de aproximadamente 78 mil milhões de Euros, divididos por 3 entidades. Cada uma delas empresta aproximadamente 26 mil milhões de Euros, tal como é dito no site da Comissão Europeia.
"O programa abrange o período 2011-2014. O pacote financeiro do programa vai cobrir as necessidades de financiamento até 78 mil milhões de euros, para as necessidades de financiamento orçamental e o apoio ao sistema bancário. O apoio total prestado pelos parceiros europeus de Portugal vai ascender a 52 mil milhões de euros (26 mil milhões de euros da União Europeia ao abrigo do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (MEEF) e 26 mil milhões de euros do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira), sendo concedido um empréstimo do FMI de cerca de 26 mil milhões de euros no âmbito de um instrumento de financiamento alargado. O pagamento da assistência é condicionado ao cumprimento das medidas políticas e metas acordadas no âmbito do programa."

Até ao dia de hoje e de acordo com os dados publicados em diversos sites oficiais Portugal já beneficiou de um total de aproximadamente 72 mil milhões de Euros de empréstimos.
Mais ou menos 24 mil milhões de cada um dos três. FEEF, MEEF e  FMI.

Como podemos ver através do site do IGCP, em Setembro cada uma das entidades já nos tinham emprestado um total de aproximadamente 66.8 mil milhões de Euros, aos quais se somam os 5.6 mil milhões do passado mês de Novembro.

Estamos por isso a falar de um total até agora de aproximadamente 72.4 mil milhões de Euros.

Sabemos também que dos 78 mil milhões de Euros, 12 mil milhões serviam para o apoio ao sistema bancário.

O novo Primeiro Ministro disse no passado dia 25 de Outubro que a banca só utilizou 5.6 mil milhões e que os restantes 6.4mil milhões "não serão necessários".
“A nossa confiança é bastante grande e julgamos que não virá a ser necessário”

Ora, sabendo que os tais 6.4 mil milhões não serão necessários, e que os mesmos apenas poderão ser utilizados na recapitalização da banca e não "para outros fins" a pergunta é fácil.

Porque precisamos de mais dinheiro da troika?

Se no total são 78 mil milhões e apenas vamos usar 71.6 mil milhões e a troika já nos emprestou 72.4 mil milhões, o que é que ainda estamos a fazer sobre protectorado, como disse o nosso Vice-Primeiro-Ministro?

A resposta se calhar é que não temos capacidade para os pormos a andar, que não interessa pô-los a andar e que o segundo resgate vem a caminho para que o ir além da troika continue, ou não?

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

What do I desire?

Aqui fica um filme para nos fazer pensar um pouco o que temos feito com o nosso tempo e o que ainda poderemos vir a fazer.

Isto porque para mim e para a esmagadora maioria das pessoas, o mais importante é o tempo. A forma como gastamos o nosso tempo é certamente a gestão mais difícil e importante que temos de fazer ao longo da nossa vida.

Deixo aqui uma das frases que o autor partilha no filme:

"You'll be doing things you don't like doing in order to go on living, that is to go on doing thing you don't like doing"


Aqui fica o filme com um discurso de Alan Watts.


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Violação da Constituição, reposição da legalidade

No passado dia 29 de Novembro após a greve dos CTT e a acção policial contra o piquete de greve e os deputados do PCP (Bruno Dias) e BE (Pedro Filipe Soares) houve uma discussão sobre o assunto na Assembleia da República.

Não vou discutir e qualificar a acção policial e a acção dos Deputados. Não estive lá, não me interessa o que se passou e não me importa quem tem razão e não tem, não é esse o foco do post.

O que achei engraçado e no mínimo curioso foram as declarações dos membros da Assembleia da República, os deputados Nuno Magalhães (CDS) e de Carlos Abreu Amorim (PSD) que referiram que os Deputados "violaram grosseiramente a Constituição" e que devem "defender a legalidade democrática e a Constituição da República Portuguesa". Ambos membros de partidos políticos que têm votado leis declaradas inconstitucionais pelo Tribunal Constitucional.

Ambos disseram que o Direito de presença em locais públicos com acesso condicionado dos Deputados não deve estar acima do "direito da ida ao trabalho" e "liberdade de circulação de trabalhadores portugueses e portuguesas que procuravam em liberdade exercer o seu direito ao trabalho".

O que retiro destas declarações dos Deputados do CDS e do PSD é que legitimam a acção da polícia, nomeadamente a reposição da legalidade, contra um eventual desrespeito e incumprimento da Constituição que não pode estar acima do direito dos Deputados. Isto porque "as funções dos Deputados não implicam a violação da lei e da Constituição" (Nuno Magalhães) e que "os Deputados devem ser os primeiros no cumprimento integral da lei e da Constituição" (Carlos Abreu Amorim)

Quanto a isto, não poderia estar mais de acordo.

Dito isto, espera-se que da próxima vez que o Tribunal Constitucional considere que a Constituição está a ser violada e não está a ser respeitada pelo Governo e pelos Deputados, que votam leis inconstitucionais, a policia haja em conformidade e que haja uma acção policial para garantir a legalidade e o respeito da Constituição.

Assim sendo, o PSD e o CDS apoiarão futuras acções policiais para retirar os Deputados e os membros do Governo do local onde estão a contribuir para a violação da Constituição, nomeadamente do Parlamento e dos gabinetes ministeriais.

As declarações de todos os intervenientes no debate podem ser vistas/ouvidas aqui.